“Anamnesis”, Ana Dalle Vedove.

Livro de estreia de Ana Dalle Vedove, combina textos que investigam as práticas sistêmicas de abusos contra mulheres, e fotografias, muitas delas autorretratos em preto e branco, transmitindo de forma mais aberta e intuitiva a maneira como o corpo físico vivencia tais violências. A obra se estrutura a partir do mito de Perséfone, divindade da mitologia grega, para evocar não somente o tema do estupro silenciado, mas também a figura de transição entre o mundo dos vivos e dos mortos, permitindo a reconstituição do passado. Ao tornar pública uma vivência privada, a história da autora dissolvese na memória coletiva e se aproxima do “esquecimento feliz” idealizado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzche como uma forma de combater o ressentimento e buscar uma psique finalmente liberta para além da repetição. Sobre a autora – Ana Dalle Vedove vive e trabalha em São Paulo há pouco mais de 10 anos. Ganhou sua primeira câmera em 2008 e aprofundou-se no campo da fotografia autoral a partir de 2018, quando se juntou ao grupo de estudos com Marcelo Greco, no qual permanece até hoje. Recebeu menção honrosa no concurso fotográfico Sony-Fotografe (2010) e participou de exposições coletivas.

“Do outro lado da porta”, Juliana Monteiro.

Como um refúgio ou uma ferramenta de enfrentamento do medo da própria ausência. a narrativa e as imagens de “Do Outro Lado da Porta” refletem a intensidade emocional da experiência de quase morte de uma mãe. Os textos são apresentados como um diário ou como reflexões que se dispersam no tempo, com a narradora dirigindo-se à filha de 5 anos na maior parte deles e, em meio a dor revelando a força do vínculo que as permeia. Sobre a autora – Juliana Monteiro é artista visual, formada em Linguística, com pesquisa no programa de pós-graduação em Estética e História da Arte do MAC-USP. A partir de fotografias, palavras e colagens, observa o caráter universal do que é íntimo, a infância, a impermanência e a dinâmica entre palavra e imagem. É autora dos livros Pandora (2020), Aprendiz (2021), Queira receber como recordação (2022), Problemas de linguística geral (2024), Álbum (2024), entre outros. Além de participar de exposições coletivas em galerias e em museus, é coautora, juntamente com o escritor João Anzanello Carrascoza, de Catálogo de Perdas (ed. SESI – 2017), livro finalista do prêmio Jabuti e vencedor do FNLIJ, e de Fronteiras visíveis (ed. Maralto – 2023). Em 2024, criou o ensaio visual de A infância de Joana (ed. Maralto), escrito por Mariana Ianelli.

“O cordão que nos corta”, Juliana Corsi

Em seu livro de estreia, a artista visual Juliana Corsi reúne fotografias em preto e branco, desenhos e pinturas produzidos na última década, além de breves textos de Helena Rios, especialmente elaborados para a publicação. A delicadeza expressada em fotografias harmônicas e de tons suaves e em desenhos de traços sutis conduzem o leitor por temas como a morte, a maternidade, a infância e a ancestralidade. Com uma atmosfera onírica, a obra sugere que os segredos de existência moram no estado de não-vigília, acessado por meio de sonhos, transes ou experiências expandidas de consciência. Sobre a autora -Juliana Corsi é uma artista visual paulistana, graduada em Design Gráfico pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Atualmente estuda processos de fotografia analógica e técnicas de pintura com aquarela e nanquim. Interessa-se pela relação entre as imagens pintadas e as imagens fotografadas, criando obras de técnica mista.