exposição Régis, Cadê Você?, Lucia Lang. Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) – Nova Fotografia | janeiro a março de 2026
fotografias da exposição. Em Takahashi











Régis, Cadê Você?
Percorrendo sozinha as vias do centro de São Paulo, Lucia Lang parece sentir-se em casa. Traz de lá sopros de beleza crua, singela, sincera: encantos que nascem em seu olhar e emergem da densidade do que é genuinamente belo.
O esvaziamento dos espaços públicos e o encerramento de inúmeras atividades comerciais – marcas do período em que foram feitas as imagens de Régis, Cadê Você? – revelam, inicialmente, um cenário desolado no qual o sentimento de perda se sobressai. Mas é nessa falta que a interação com aqueles que ali permanecem ganha força; onde a magia da luz se faz notar e os guardiões se revelam. Convertendo a ausência em imensidão, a câmera de Lucia descortina um novo lugar, preenchido pelo canto de quem aprendeu a habitar o vazio.
A autora respira a urbe como quem busca refúgio. Desperta em uma paisagem vestida pelos rastros da noite anterior. Tateia calçadas, esquinas, becos. Toca o improvável. Reconhece-se na vastidão das pessoas que a atravessam; troca risadas e alegrias garimpadas na espessura dos dias. Ao retornar, nos oferece os primeiros raios da manhã materializados em etéreos fios de cabelos brancos; a altivez do rapaz a carregar laranjas – ou toda uma existência – em direção à própria iluminação; o sono de alguém, a céu aberto, vigiado por halos coloridos que almejam ser abrigo.
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Ao longo dos últimos doze anos, Lucia Lang desenvolveu sua poética utilizando a fotografia como principal ferramenta. Sempre em busca de pertencimento, alterna ensaios nos quais seu olhar volta-se para o exterior – tendo a cidade de São Paulo como cenário – e para seu mundo interno – explorando relações familiares ou percepções sobre o próprio corpo.
Régis, Cadê Você?, que traz imagens de 2021, é o terceiro ensaio da autora a ter as ruas da cidade como palco. Antecedem-no Vibe (2014-2018) e Tudo flui (2022), além de experimentações analógicas iniciadas em 2018. Entre os trabalhos que focam seu cotidiano, destacam-se Travessia, publicado em 2025, e Palavras perdidas, série em andamento que aborda tramas familiares e marca seu retorno à fotografia analógica.
Helena Rios
direção artística e texto. Helena Rios
produção. Lia Lima e Vanessa Rodrigues
impressão. Danilo Grimaldi – Imagens de Papel Ateliê de Impressão Fineart
montagem das obras. Lucrécia Couso – Espaço opHicina
montagem da exposição. Fábio Silva e Sr. Aldo
desenho de luz. Fábio Silva e Lucia Lang
comunicação. Cristiane Futagawa (Sushi)
identidade visual. Paula
vinis de recorte (textos). Tomás e André – Sign Vision
vídeo. Felipe, Mariane e Yule – educativo MIS
assessoria de imprensa. Gretha Rossini